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A LENDA DE GOLEM:UM HOMÚNCULO

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A LENDA DE GOLEM:UM HOMÚNCULO

Mensagem por PINHO Cardoso em Dom 25 Dez 2011 - 15:41

O golem é uma figura muito popular no folclore e lendas judáicas. O golem é uma criatura parecida com um homem que é criado pelo uso de poderes místicos que podem ser encontrados na tradição cabalística.

Embora a comunidade judaica de Praga fosse melhor tratada pela aristocracia local do que o eram a maioria dos judeus da Europa, ainda assim os judeus eram vítima freqüente de ataques anti-semitas e de uma política oficial discriminatória. Em 1357, por exemplo, o rei Charles IV determinou o confinamento de toda a população judaica em um único bairro. Em Pessach de 1389, três mil judeus entre homens, mulheres e crianças foram assassinados. Eram épocas difíceis para a comunidade de Praga.

No final do século XVI, quando o rabino Judah Loew (1520-1609), um dos mais respeitados e queridos sábios do Leste Europeu, tornou-se Grão-rabino de Praga, o perigo para os judeus era iminente. O Maharal, nome pelo qual o rabino se tornou conhecido, estava ciente do perigo. O ódio era incitado pelo bispo Tadeusz, judeu convertido. Como resultado, explodia a violência e sangue judeu era derramado.

O sacerdote católico usava todos os recursos para prejudicar o povo que repudiara. Repetia para as massas de Praga a caluniosa acusação de que os judeus assassinavam crianças cristãs. O Maharal tentara desesperadamente apaziguar os ânimos, mas seus apelos à razão e à justiça não obtiveram resultado. A agitação atingira seu ponto máximo e a comunidade judaica receava um massacre. O Maharal, que rezava constantemente para que D'us os ajudasse, apelou, então, para os Céus.

Conta a tradição que o sábio teve um sonho no qual recebeu indicações de como poderia evitar a catástrofe que ameaçava abater-se sobre seu povo. A resposta veio oculta nas dez primeiras letras do alfabeto hebraico. O Maharal, além de ser um grande sábio, mestre na Torá, no Talmud e na Cabalá, possuía poderes mentais e espirituais inigualáveis. Por isso, entendeu a mensagem que lhe indicava fazer uma figura de argila que se transformaria em um Golem. Esta criatura teria, então, meios para destruir os inimigos de Israel.

Na manhã do dia seguinte, 20 de Adar de 1580, mandou chamar seu genro e seu discípulo preferido. Contou-lhes seu sonho, a revelação que tivera e a decisão de criar um Golem. Ao ver o espanto dos dois, avisou que aquela não seria a primeira vez em que se criaria este artifício. Muitas tentativas haviam fracassado no passado, mas o Talmud contava que o sábio Rava havia conseguido.

Yossel, o Golem

Os três homens foram à mikvê, na qual se purificaram por três dias, rezando, jejuando e santificando seu espírito e coração com extrema devoção. Ao amanhecer do terceiro dia, prepararam um pacote de roupas do tamanho de um homem normal e levaram-no a um lugar fora da cidade, próximo às margens do rio Vlatva. Lá, moldaram um boneco de argila com a aparência de um homem inclinado, com a cabeça voltada para o céu.


A estátua do golem em Praga

O Maharal disse a seu genro, um Cohen, que desse sete voltas ao redor do boneco repetindo certos nomes e letras sagradas. Depois, disse a seu discípulo, da tribo dos levitas, que fizesse o mesmo. E, por fim, ele próprio fez o mesmo. Tendo terminado a última volta, colocou um pergaminho onde escrevera o nome de Deus sob os lábios da figura de argila. Em seguida, recitaram sete vezes, unidos em grande concentração, o versículo da Torá que diz: "E Ele insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo". Neste momento, o Golem abriu os olhos. Então o Maharal ordenou-lhe que se erguesse, cobrindo-o com as roupas que haviam trazido.

"Seu nome é Yossi", disse o Maharal. "Eu o criei, com a ajuda de Deus, para que cumpra a missão divina de proteger os judeus contra seus inimigos. Você obedecerá a todas as minhas ordens, não importa o que eu ordene, pois é destituído de vontade própria. Seu lugar será dentro do Beit-Din, onde terá as funções de shamash".

Feito isso, os três homens partiram em direção à cidade, seguidos pela criatura que tinha a aparência e os movimentos de um homem normal. Embora mudo, pois o poder da fala só podia ser concedido por Deus, e desprovido de quaisquer pensamentos ou inteligência, o Golem compreendeu o que o Maharal lhe havia dito.

Ele ficava, o dia todo, sentado no Beit-Din, sem nada falar ou fazer, o olhar vazio. Ninguém na comunidade sabia quem era nem de onde viera. Deram-lhe o apelido de Yossi, o mudo. Ninguém, exceto o Maharal, podia dar-lhe ordens ou recorrer a seus serviços. Se falassem com ele, não reagia; nunca abria a boca. Seu rosto só se animava quando o Maharal lhe falava. Então, escutava atenta e humildemente, partindo a seguir para executar a missão.

As missões do Golem

Todas as histórias sobre o Golem começam freqüentemente da mesma forma: um judeu acusado injustamente por crimes imaginários. E terminam também da mesma forma: o Golem intervém para que tudo volte a seu devido lugar. Segundo a tradição, o rabino Loew, o Maharal, era quem lhe dava ordens, pois o Golem não tinha inteligência própria. Assim, com a ajuda da criatura, desfaziam-se os complôs do bispo Tadeusz. Certa ocasião, salvou uma menina judia de se converter à força. Em outra, após o Maharal descobrir que a matzá para Pessach havia sido envenenada, o Golem descobriu o culpado.

Dez anos após ter sido criado, a situação dos judeus havia melhorado e o Maharal concluiu que a missão do Golem terminara. Em 1590, durante Lag Ba'Omer, o Maharal ordenou-lhe que o acompanhasse ao porão da sinagoga. Lá, disse-lhe que se deitasse e abrisse a boca. O sábio tirou o pergaminho no qual estava escrito o Nome Divino e disse à criatura: "Você é pó e vai voltar ao pó". Yossi, o Golem, cumprira o seu destino.

Anos mais tarde, no entanto, espalhou-se entre os judeus de Praga uma lenda segundo a qual Yossi, o Golem, não virara pó, mas estava escondido desde 1590 no sótão da sinagoga de Praga em profundo sono.

Lenda ou realidade

Visitando Praga, é fácil ser atraído pela lenda do Golem através de dois pontos turísticos. O inesquecível e emocionante Cemitério Antigo Judaico, no bairro judeu, no qual se encontram mais de 12 mil túmulos do século XV. Embora vários líderes renomados da cidade estejam enterrados lá, o mais visitado é o túmulo do Maharal. E, assim como o Muro das Lamentações, em Jerusalém, está repleto de bilhetes de orações e pedidos. O segundo local que atrai os turistas é a Sinagoga Alt Neue (Antiga Nova), construída em 1280, única em funcionamento até hoje. As outras sinagogas viraram museus. É a mais antiga casa de orações judaicas na Europa e uma das construções góticas mais antigas de Praga. Reza-se nesta sinagoga há mais de 700 anos, com exceção do período da Segunda Guerra Mundial. E, enquanto se ora, ao olhar para o teto arredondado, surge a dúvida. E o Golem, ainda estaria no sótão?

Mas será que o Golem realmente existiu? Rabinos famosos afirmaram que sim. Recentemente, o rabino Moishe New, líder chassídico do Canadá e diretor do Centro da Torá de Montreal, ao ser questionado sobre o assunto respondeu: "O Talmud relata momentos nos quais outros Golems foram criados para proteger a vida dos judeus, exatamente como fez o Maharal".

E acrescenta: "Ao corpo do Golem foi dada uma alma e assim tornou-se uma espécie de anjo dentro de um corpo feito pelo homem. Os anjos são tidos como criaturas que não têm livre arbítrio e não são capazes de fazer julgamentos morais. São "robôs" espirituais subservientes a seus construtores. O Maharal, enfatiza o rabino, era cabalista, além de filósofo e talmudista. Escreveu uma série de 20 livros baseados na Cabala chamados de Guevrot Hashem, ou O poder de Deus"

HOMÚNCULO

O golem palavra vem da palavra hebraica gelem, ou seja, matéria-prima. O golem é exteriormente uma pessoa real, ainda lhe falta a dimensão humana da personalidade e intelecto. A vida se exclamou nele através de um processo místico usando o nome especial de Deus. Ele é criado a partir do solo, como foi o primeiro homem. Quando sua missão não é mais necessária, o nome de Deus é removido dele e ele volta para o chão.

Muitos traços tem o golem ao ensino místico do livro cabalista chamado de "Sefer HaYetzera", o livro de formação. Este antigo livro ainda é publicado hoje e estudado por místicos judeus. O livro trata do comprometimento com o processo real de criação do universo. É em parte atribuído a Adão, o primeiro homem, Abraão, o primeiro patriarca, e Rabbi Akiva, o famoso rabino que viveu cerca de 2000 anos atrás.

O livro descreve vários elementos místicos da criação. Entre eles estão as palavras hebraicas e cartas. Como se recorda, Deus criou o mundo pela enunciação de comandos vocais. As palavras hebraicas que foram proferidas tinha um poder divino que surgiu a partir das letras individuais. Essas cartas combinadas em sua queda para baixo para o mundo do sucesso material e solidificou a tornar-se objetos.


A letra hebraica "Peh"
Indicando movimento circular para fora


Como exemplo, a letra hebraica, peh, é quase exclusivamente usada para designar uma espécie de movimento para fora e abrir. O peh é uma boca que, obviamente, se abre. A palavra flor em hebraico é parach, que abre como flores, tem peh como sua primeira carta. A palavra para fruta é parot, que incha à medida que cresce na árvore. A palavra é para explodir potzet, que é um movimento óbvio para fora.

Embora muitos tenham dominado os segredos da criação, conforme explicado no Sefer Yetzirah, muito poucos são capazes de realmente colocar seu conhecimento dos segredos da língua hebraica em prática. Nós achamos que só os muito justos são capazes de ter sucesso em trazer o golem para a vida. Isto é devido à incapacidade de realmente trazer os poderes divinos para a gelem, a matéria-prima. A permissão é dada apenas para aqueles que usam esse poder para fins próprios.

Muitas pessoas hoje dizem que, embora não podemos criar um golem no nível do rabino Yehuda Leow de Praga, ainda temos conseguido criar uma forma diferente de golem. Rabi Leow tomou um punhado de terra, deu-lhe forma e introduzido nela vitalidade, mas sem as capacidades intelectuais. Muitos dizem que o nosso sistema educacional tem duplicado a façanha de Rabi Leow, retirando a inteligência das crianças e transformando-as em bolhas.

http://www.jewishmag.com/26mag/golem/golem.htm
ww.morasha.com.br/conteudo/ed30/golem.htm
http://www.pitt.edu/~dash/golem.html
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