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Mensagem por marcos a cavalcanti Sex 13 Abr 2012 - 7:14

Há em nosso jornal uma coluna chamada Conexão Brasília da qual procurei reunir fatos passados, para complementar a matéria de hoje, intitulada:
“Como as CPIs viraram uma enganação”, que começa da seguinte forma:
Um dos recordistas em participações em CPIs, o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PDT) costumava fazer piada sobre o comportamento dos parlamentares durante o funcionamento das comissões.
“Tem aqueles que se empolgam tanto com o burburinho que quando chegam em casa, abrem a geladeira e veem luz, já começam a dar entrevista”, diz ele.
Há pelo menos seis anos, porém, os holofotes dos inquéritos conduzidos pelo Congresso perderam força, que para comprovar, recorro á outra matéria intitulada:
“Vacine-se contra a demagogia anticorrupção”.
Esta começa lembrando alguns fatos passados, ou seja:
De tempos em tempos, discursos anticorrupção costumam comover os eleitores brasileiros. Jânio Quadros prometia varrer a bandalheira em 1960, Fernando Collor travestiu-se de caçador de marajás em 1989. Em 2002, o PT de Lula lançou a campanha Xô Corrupção, que incluía uma propaganda na televisão em que ratos comiam uma bandeira do Brasil.
Para quem não lembra, o petista é autor de uma pérola sobre o funcionamento da Câmara e do Senado.
“Há no Congresso uma minoria que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns 300 picaretas que defendem apenas seus próprios interesses”, disse ele, em 1993, só que ele tropeçou no mensalão, mas levantou-se rapidamente quando pôs as falas sobre ética no armário e abraçou-se à turma que sempre combateu.
Entre 2002 e 2004, o PPS amealhou muitos votos com uma campanha com uma mensagem ligeira e eficiente: “Vote Limpo, Vote 23”. Lembro-me, em 2006, de entrevistar o marqueteiro de campanha de Rubens Bueno, que concorria a governador do Paraná, sobre os motivos de preterir o slogan.
Segundo ele, depois do mensalão, o eleitor estava farto e desiludido do discurso sobre corrupção. Ainda assim, havia um nicho para os “limpinhos”. Em 2007, o PFL mudou o nome para Democratas e tentou de novo soprar o mofo da bandeira da ética.
Quando a imagem começou a se consolidar, no entanto, veio o mensalão de Brasília, em 2009. O escândalo atingiu o único governador eleito pelo partido, José Roberto Arruda, e seu vice, Paulo Otávio. O DEM agiu rápido ameaçando a dupla de expulsão e os dois acabaram saindo por conta própria.
Desgastada, a legenda encolheu nas eleições de 2010.
Em 2011 a sua reserva moral secou neste mês com as denúncias de envolvimento de Demóstenes e o fez largar seu bastão de ética e junto se sabe que outros políticos do PCdoB, PSDB, PPS e PT, estão envolvidos.
Daí porque, a piadinha do ex-deputado Gustavo Fruet.
Então, juntando as matérias chegasse á seguinte conclusão:
O fato é que todos esses episódios mostram que combater a corrupção deveria ser uma obrigação, não um diferencial. Nenhum político deveria precisar alardear que é probo. No mundo ideal deveria se discutir ideias para gerir melhor os recursos públicos e não campeonatos de honestidade.
Por outro lado, está certo que no mundo ideal não tem marajá nem mensaleiro. Por essas e outras é melhor nunca perder a ética na política de vista. Mas lembre-se sempre de que os julgamentos devem ficar por sua conta – nunca pela deles.
Pode demorar um pouco, mas sempre poderá aparece um novo “ético”.
-x-x-x-x-x-x-
Finalizo ressaltando sem querer entrar na seara religiosa, o que foi dito por Jesus:
“Quem não tem pecado, que atire a primeira pedra”?
Afinal, parece que a “Torres” caiu.

marcos a cavalcanti

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