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Bento XVI e as ameaças contra a humanidade

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Bento XVI e as ameaças contra a humanidade Empty Bento XVI e as ameaças contra a humanidade

Mensagem por Gilmor Dom 15 Jan 2012 - 1:11

O papa Bento XVI disse que o casamento homossexual “ameaça o futuro da humanidade”.

Eu pensava que o que o ameaçava eram as guerras (muitas delas étnicas ou religiosas), a fome, a miséria econômica, a desigualdade e as injustiças sociais, a violência, o tráfico de drogas e de armas, a corrupção, o crime organizado, as ditaduras de todo tipo, a supressão das liberdades em diferentes países, os genocídios, a poluição ambiental, a destruição das florestas, as epidemias…

Porém o papa, mesmo ciente de todos esses males e consciente de que sua instituição – a Igreja Católica Apostólica Romana – contribuiu com muitos deles ao longo da história ocidental, disse que a humanidade é ameaçada pelo fato de dois homens ou duas mulheres se amarem e, por isso, decidirem construir um projeto de vida comum e obter o reconhecimento legal dessa união para gozar de direitos já garantidos aos heterossexuais.

O amor e a felicidade como ameaças contra a humanidade: foi o que afirmou Bento XVI.

O amor, uma ameaça?!

Dentre todos os desatinos do papa, este foi o que mais me chocou. Talvez porque sua afirmação estapafúrdia e anacrônica tenha violado diretamente a minha dignidade humana de homossexual assumido e orgulhoso de minha orientação sexual e de minha formação científica (sim, porque a afirmação de Bento XVI parte da crença absurda de que o casamento civil igualitário vai transformar todos os homens e mulheres em homossexuais e vai impedir que todas as mulheres da Terra recorram às técnicas de reprodução artificial).

Ora, o amor, como a fé, é inexplicável: sente-se ou não. Não há dicionário que possa defini-lo; só o poeta pode dizer alguma coisa a respeito — fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente — mas para entendê-lo é preciso sentir tudo aquilo que o papa, os cardeais, os bispos e os padres, pelas regras do trabalho que escolheram desde jovens, são proibidos de sentir – seja por outro homem, seja por uma mulher.

Talvez por isso eles não entendam.

Mas o amor nunca poderia ser uma ameaça para a humanidade; antes, sim, uma salvação para os seus piores males, um antídoto contra os venenos que a intoxicam, uma vacina contra as doenças que a afligem. O papa está errado de cabo a rabo. Ele não entendeu nada mesmo.

Contudo, mesmo não entendendo, ele deveria ter um pouco de responsabilidade. Suas palavras têm poder, influência, entram na cabeça e no coração de milhões de pessoas no mundo inteiro. Ele poderia usá-las para fazer o bem. Em vez de dedicar tanto tempo e esforço a injuriar os homossexuais — eu confesso que não consigo entender o porquê dessa obsessão que ele tem com a gente — o papa poderia se colocar na luta contra os verdadeiros males que ameaçam, sim, a humanidade. Esses que matam milhões, que arruínam vidas, que condenam povos inteiros.

Bento XVI não pode continuar difundindo o ódio e o preconceito contra os gays. Ele não pode dizer que nós, só por amarmos, só por reclamarmos que o nosso amor seja respeitado e reconhecido, somos “uma ameaça”. Aliás, porque esses tipos de frases têm uma história. “Os judeus são a nossa desgraça!” (“Die Juden sind unser Unglück!”), disse o historiador Heinrich von Treitschke, e essa desgraçada expressão, publicada na revista alemã Der Sturmer e logo usada como lema pelos nazistas, deu no que deu. Nós, homossexuais, também sabemos disso: o nosso destino na Alemanha nazista, onde Bento XVI passou sua juventude, era o mesmo dos judeus, só que em vez da estrela de Davi, o que nos identificava nos campos de concentração era o triângulo rosa.

A tragédia do nazismo deveria ter servido para aprender que o outro, o diferente, não é uma ameaça, nem uma desgraça, nem o inimigo. E nós, homossexuais, não ameaçamos ninguém. O nosso amor é tão belo e saudável como o de qualquer um. E merecemos o mesmo respeito e os mesmos direitos que qualquer um.

Da mesma maneira que acontece agora com o “casamento gay”, o casamento entre negros e brancos — chamado, na época, “casamento inter-racial” — já foi considerado “antinatural e contrário à lei de Deus” e uma ameaça contra a civilização. Numa sentença de 1966, um tribunal de Virgínia que convalidou sua proibição usou estas palavras: “Deus todo-poderoso criou as raças branca, negra, amarela, malaia e vermelha e as colocou em continentes separados. O fato de Ele tê-las separado demonstra que Ele não tinha a intenção de que as raças se misturassem”.

O casamento entre alemães “da raça ariana” e judeus também foi proibido por Hitler. Até os evangélicos tiveram o direito ao casamento negado em muitos países durante muito tempo, porque eram, também, uma ameaça para a Igreja católica. Parece que alguns pastores não se lembram, mas foi assim.

Na Argentina, que em 2010 aprovou o casamento igualitário, a primeira grande reforma ao Código Civil, no século XIX, foi impulsionada pela demanda dos protestantes, que reclamavam o direito a se casar. Vários casais não católicos se apresentaram na Justiça, como agora fazem os homossexuais. Quando o país aprovou a lei de criação do Registro Civil e, depois, o matrimônio civil, em 1888, houve graves enfrentamentos entre o governo argentino e a Igreja Católica, que incluíram a quebra das relações diplomáticas com o Vaticano. No Senado, um dos opositores ao matrimônio civil disse que, a partir de sua aprovação, perdida a “santidade” do matrimônio, a família deixaria de existir.

A lei foi chamada de “obra-mestra da sabedoria satânica” por monsenhor Mamerto Esquiú, quem disse sobre os governantes argentinos da época que “amamentam-se dos peitos da grande prostituta, a Revolução Francesa”. Todas a predições apocalípticas que foram feitas contra a lei de matrimônio civil, no entanto, não se cumpriram. Anunciaram, garantiram que o mundo ia acabar… mas o mundo não acabou.

Passou-se mais de um século, mas as discussões são as mesmas. Os argumentos são os mesmos. E o papa Bento XVI continua sem entender. Não entende, tampouco, que o casamento civil e o casamento religioso são duas instituições diferentes. O casamento civil está regulamentado pelo Código Civil, que pode ser modificado pelo Congresso, já o casamento religioso depende das leis de cada igreja: por exemplo, o casamento católico é diferente do casamento judeu.

O casamento religioso é feito na igreja, templo, mesquita ou terreiro; o civil, no cartório. Para celebrar o casamento religioso na Igreja católica, os noivos devem ser batizados ou fazer um juramento supletório do batismo e devem realizar um curso prévio na igreja – o que não é necessário para o casamento civil, que pode ser celebrado por pessoas de qualquer religião ou por ateus. O casamento religioso, na maioria das igrejas cristãs, é indissolúvel – já o civil admite o divórcio.

Em conseqüência, uma pessoa pode se casar na Igreja apenas uma vez na vida, mas pode casar quantas vezes quiser no cartório, desde que seja divorciada. O casamento religioso, para que produza efeitos jurídicos, deve ser registrado no cartório – os efeitos jurídicos do casamento civil são imediatos. E essas são apenas algumas das muitas diferenças que existem entre o casamento civil e o religioso…

O que nós, homossexuais, reclamamos é o direito ao casamento civil. A PEC (proposta de emenda à Constituição) que estou impulsionando no Congresso não mexe em nada com casamento religioso, cujos efeitos jurídicos são reconhecidos no art. 226 § 2 da Constituição, que se manterá inalterado. Meu projeto legaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, mas nada diz sobre o casamento religioso. Da mesma maneira que o Estado não deve interferir na liberdade religiosa, as religiões não devem interferir no direito civil. Este último é uma instituição laica, que deve atender por igual as necessidades daqueles e daquelas que acreditam em Deus — em qualquer Deus ou em vários deuses — e também daqueles e daquelas que não acreditam.

Chegará o dia no qual uma criança irá à biblioteca da escola para procurar, nos livros de história, alguma explicação sobre um fato surpreendente que o professor comentou em sala de aula: “Até o início do século XXI, o casamento entre dois homens ou duas mulheres não era permitido”. Para o nosso pequeno cidadão, essa antiga proibição resultará tão absurda como hoje nos resulta a proibição do casamento entre negros e brancos, ou do voto feminino. E se ele descobrir, na biblioteca, que houve um dia em que um papa disse que o casamento gay ameaçava a humanidade, provavelmente sentirá a mesma repulsa que nós sentimos ao lermos a desgraçada frase de von Treitschke.

Bento XVI deveria pensar se ele quer passar à história dessa maneira. Ainda está em tempo.

Tomara que algum dia ele seja capaz de entender e aceitar o amor — qualquer maneira de amor e de amar — e fazer aquilo que Jesus Cristo pregava: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”.

(*) Jean Wyllys é deputado federal pelo PSOL-RJ. Artigo publicado originalmente em Carta Capital.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/19129/bento+xvi+e+as+ameacas+contra+a+humanidade.shtml

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Mensagem por Gideão da CCB Livre Ter 21 Fev 2012 - 9:56

Caro amigo Gilmor, eu li o seu depoimento e vi a sua preocupação e te digo com toda franquesa: tens razão de se peocupar mesmo!

Diante desta e outras frases que os líderes religiosos tem transmitido ao mundo, a vossa vida está com sérios problemas, como diz o ditado popular: é uma gota dágua na carapuça do dedo.

Mas o amigo não entendeu o que o líder mundial quiz dizer com a sua frase, que, aliás, é bem elaborada e pesquisada, ante de ser divulgada; o que esse "casamento" ou essa união diferente vai causar, não é a destruição da humanidade em si, mas sim, destruir os pilares de uma sociedade construida a milhares de anos!

Esse casamento gay, só tem um retrato: mutila a sociedade mundial, aleja toda a sociedade como uma gregrena malígna. Por que? Você mesmo sabe e sente, que este AMOR tão maravilhoso que você descreve, não é aceito pela a sociedade como bem vinda.

Para isto acontecer, vai levar anos e digo mais, se sobreviver às tempestades, que vão surgir com a intervenção dos líderes religioso; como tem sofrido a ideia do aborto! Isto sem conciderar os ricos que essa união tem causado entre os membros que usam deste casamento.

Veja as pesquisas, entre 10 moços envolvidos, 9 deles estão infectado com o HIV e isto assombra a sociedade, que passa a ver este casamento como uma ameaça universal à vida humana, pois, a AIDS continua sendo uma desgraça e uma ameaça à vida humana e os gays não estão ligando pra nada disto.

A união homofóbica só tem um problema no meu ponto de vista: retrata uma sociedade feia, alejada, deprimente e decadente. Por que?

Muitos membros deste movimento não respeitam o seu dever e o lugar onde vivem, não são todos, eu admiro muitos gays, que se comportam e vivem a sua vida digna de atenção sim, que merece ser honrado; mas existe milhares deles, que relacham a categoria.

Por mim, a sua vida e o seu mode de vivê-la, é bem vinda, lamento que nem todos tem essa mesma visão na nossa sociedade conservadora.

Esse movimento já foi motivo de grandes conflitos e de destruição em massa de cidades inteiras que os seus líderes não acabou com essa prática diferente no início;

Os rabinos, monges religiosos colocaram a culpa em Deus, mas nós que conhecemos as mentiras da bíblia, sabemos que não foi Deus e sim, os líderes machistas que mataram todos os gays e no rol morreram também os inocentes defensores deste movimento.

E tudo isto pode e está ameaçado de acontecer novamente, mesmo estando vivendo no século XXI, isto não está longe de voltar a acontecer! Deixa o número de gays aumentar excessivamente e aleijar a sociedade em si, pra você ver, vai ser uma chacina inevitavel, pode apostar!
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Mensagem por Gilmor Ter 21 Fev 2012 - 14:48

Gideão da CCB Livre escreveu:Caro amigo Gilmor, eu li o seu depoimento e vi a sua preocupação e te digo com toda franquesa: tens razão de se peocupar mesmo!


Gideão, o que voce leu foi o depoimento do deputado federal Jean Wyllys, que me limitei a reproduzir.

Não sei de onde vc tirou esses dados sobre HIV, não creio que sejam exatos, 90% dos gays contaminados?


Não tenho nada contra o casamento homossexual em especial, embora considere qualquer tipo de casamento uma babaquice. Sou a favor do acasalamento.












Gilmor

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